Em uma empresa bem administrada e com as vendas em expansão, a variação da necessidade de capital de giro tende a ser ligeiramente positiva1, ou seja, a necessidade de capital de giro aumenta com as vendas. Isto se explica porque, nestes casos, os estoques aumentam e o saldo da conta Recebíveis, também. Embora os fornecedores financiem no todo ou em parte os estoques de matérias primas, é provável que uma parte dos estoques de produtos em elaboração e de produtos acabados (no caso de empresas industriais) e os Recebíveis tenham que ser financiados pelo fluxo da atividade principal ou por empréstimos de curto prazo. Ora, como sabemos, um aumento do saldo de qualquer conta do Ativo (exceto o Disponível) retira recursos do fluxo de caixa. Daí que um aumento da necessidade de capital de giro aparece no fluxo de caixa com o sinal negativo.

O oposto também é verdade. Em empresas bem administradas, em períodos de retração de vendas, a variação da necessidade de capital de giro tende a ser ligeiramente negativa (ou seja, a necessidade de capital de giro diminui) porque o nível dos estoques diminui e o volume de recebíveis também. Daí que uma diminuição da necessidade de capital de giro aparece no fluxo de caixa com o sinal positivo, ou seja, quando a receita líquida diminui a necessidade de capital de giro passa a ser uma fonte que libera recursos para o fluxo de caixa. Uma exceção notável desta regra são as empresas que compram com prazos dilatados para pagamento, vendem a vista e giram muito rápido com seus estoques, como acontece em alguns varejistas de grande porte. Como vimos na seção anterior, neste caso, pode acontecer de o Passivo Circulante ser maior do que o capital de giro. Uma análise estática do balanço desta empresa indicaria uma empresa ilíquida, já que se índice de liquidez corrente seria menor do que um. Já a análise dinâmica de seu fluxo de caixa mostraria uma empresa cuja variação da necessidade de capital de giro gerara caixa à medida que o faturamento cresce....


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* Carlos Alexandre Sá é um dos mais renomados consultores e palestrantes brasileiros, 
em temas das áreas contábil/financeira dirigidos a empresas privadas. Mestre em Finanças 
e Economia Empresarial pela Escola de Pós Graduação em Economia da FGV, onde atua 
como professor convidado dos cursos de MBA. Foi Diretor Financeiro e Superintendente de 
empresas nacionais e estrangeiras. Autor do livros: “Estabelecimento do Limite de Crédito; 
uma nova abordagem para um velho problema”; “Contabilidade para não Contadores”; 
“Fluxo de Caixa: a visão da tesouraria e da controladoria”; coautor do livro: “O Orçamento 
Estratégico: uma visão empresarial”.
É professor do IDEMP – Instituto de Desenvolvimento Empresarial.